AT94

HOMENAGENS

Maxwell da Silva Romeiro

 05/08/1972   21/12/1996

A HOMENAGEM

    Aproveitamos a realização do 7° Futchurras para promover a homenagem ao amigo Maxwell. O espaço de lazer do Depósito de Combustíveis da Marinha no Rio de Janeiro (DepCMRJ) foi batizado com o nome do nosso saudoso amigo.
    O Vita, então Diretor do DepCMRJ, fez a abertura dos discursos e passou a palavra ao Marcos André. Por fim, a família do Maxwell descerrou a placa.

A VIDA NA FAMÍLIA

    Aguardando a colaboração do Irmão do Maxwell para este espaço.

PALAVRAS DO VITA

    Hoje é um dia de alegria, é um dia de festa! Não é um dia de tristeza nem de morte.
    Hoje a gente está celebrando a VIDA!
    A VIDA do Maxwell!
    Ele é um cara que soube viver muito bem. Ele foi muito feliz. Ele se foi rápido, partiu rápido, muito cedo, muito antes do que a gente queria. Mas o tempo todo, quando a gente lembra dele, a gente lembra de alguma coisa boa, alguma coisa alegre, uma zoação, uma brincadeira. Todo mundo aqui tem alguma coisa engraçada com o Maxwell. Tem gente que o conheceu na Escola Naval. Eu o conheci no Colégio. Teve gente que conheceu o Maxwell até no Soeiro (cursinho): o Maia, o Sérgio Dantas. Desde garotos, portanto, 13 anos, a gente sempre tem uma imagem legal. Pessoal de Coelho Neto, Guadalupe, Honório. É essa imagem de ALEGRIA que ele nos traz.
    Mesmo depois de 19 anos, ele faleceu há 19 anos, quando a gente pensa nele, a gente não pensa naquele dia triste, aquele dia em que a gente chorou. A gente só pensa na alegria. A gente se reúne, a nossa Turma, e sempre lembra dele. A gente nunca esqueceu do Maxwell. Nunca, nunca. Nesse tempo todo.
    Então, eu acho que ele, inclusive, ajudou a moldar nossa Turma. Isso aqui faz parte dele.
    Ele quebrava o gelo.
    Ele brincava, ele zoava o tempo inteiro.
    Eu lembro que eu era da 14 (turma 14, no 1º ano do Colégio Naval) junto com ele, quem era da 14 sabe disso, a gente lá no Estudo Obrigatório, aquele silêncio absoluto, Terceiro Anista lá na frente, tomando conta, todo mundo quieto, Marcos André porrando (estudando) em abrolhos, com a mão em cima da mesa e não olhava nem para o lado, daqui a pouco... “AAAHHHH!!!”. O Terceiro Anista colava na parede: “Que p... é essa???” Aí ele: “Gastrite...”. “Negão, que p..., tu tá de s..., pqp”, aí ele: “Ataca, Chefe”.
    Baile na Escola Naval, a chepa ia chegando e não pegava ninguém, aí começava a rodar a chave - “tô de carro, tô de carro”. A mulherada: “Maxwell tá de carro, vou te pegar, Suel. Qual é teu carro?” Aí ele: “Kombi”. Aí a mulherada vazava. Era sempre evento assim!
    Eu lembro do 1° ano, a gente era Aspirante, em uma Aspirantex dessa no então CT Paraíba, cobertas abaixo, tomando um sugão f... de um Tenente e ele: “Maxwell cai flexão” e ele pagando os PF dele: “Me ajuda minha mãe”. E o Tenente: “ Tá de s..., tu vai morrer”. E o Maxwell: “ Agora eu me f...”. O cara até nas horas difíceis, nas horas da suga, o cara conseguia brincar!
    Então ele conseguiu viver muito bem, era um cara extremamente feliz, e é por isso que moldou nossa Turma. A nossa Turma é uma Turma alegre, é uma Turma que se reúne, é uma Turma que gosta de se encontrar. A gente está homenageando ele aqui, porque esse local tem a cara dele. Aqui é um local de festa, é um local de ouvir música, de jogar bola, de tomar uma cerveja, de brincar, de falar da vida, de zoar. Então esse local é perfeito, aqui tem a cara do Suel.
    Essa cerimônia estava programada para março. A gente não ia fazer agora em setembro, ia fazer em fevereiro ou março, mas aí os colegas disseram que não, que faziam questão de participar. Vários colegas que estavam no exterior disseram que faziam questão de participar. Tem gente aqui que veio para o Rio de Janeiro só para o evento. Veio de Manaus, da Paraíba e até do Tocantins. Então, o Suel era uma unanimidade, um cara muito querido, um cara muito amado, um cara diferenciado.
    Alguns falaram que era legal homenagear o Suel, mas e os outros que também já se foram e também eram caras legais e mereciam uma homenagem?
    Realmente nós tivemos outros amigos que se foram bem antes do que a gente esperava, é verdade. Mas gente, essa data e esse local a gente escolheu para o Maxwell.
    A Turma, nós vamos nos organizar, vamos também homenagear outros colegas que a gente também gosta, que a gente também ama, mas esse local aqui a gente separou para o Suel.
    Eu gostaria de pedir uma salva de palmas para o Maxwell!!!

PALAVRAS DO MARCOS ANDRÉ

    Eu fico honrado de estar falando em homenagem ao Maxwell.
    E fico honrado como Chefe de Classe pela deferência que me proporcionaram aqui para isso.
    Ser Chefe de Classe dessa Turma não é uma questão de orgulho pessoal, é uma honra, porque é uma Turma de vários chefes, de várias pessoas, não só da Marinha, mas de toda a Sociedade. Essa nossa Associação, ela não é uma Associação de Marinha simplesmente. É uma Associação de amigos, que começou em 1988. 1988, que foi um ano importante para o Brasil: o ano da Constituição Federal, Constituição Cidadã. Depois viramos Turma 94. 1994, outro ano importante: o Plano Real.
    Então é com muita alegria que faço essa homenagem ao Maxwell.
    Ela não é simplesmente por ser Chefe de Classe.
    Eu fui do 2° Pelotão da 4ª Companhia, que foi o Pelotão do Maxwell quando ele entrou na Marinha. E também participei, com muita tristeza, do seu enterro. Estava lá de Dólmã, representando a Marinha e a nossa Turma.
    Divido essas minhas palavras em três palavras-chaves, que me marcam muito a presença do Maxwell: a questão da AMIZADE, a questão da CIDADANIA e a questão da ALEGRIA, como o Vita bem ressaltou.
    De AMIZADE, eu lembro do Maxwell no 2° Pelotão, a gente ainda sem vestir o cinza, aprendendo algumas coisas básicas, aprendendo a marchar, Ordem Unida etc. O Oficial Aluno, que era um menino também como nós, estava fazendo o “automático” (chamada de presença em sequência automática) e nós estávamos respondendo baixinho os números, meio com medo das coisas. O Oficial Aluno disse que nós estávamos falando muito baixo, que ele queria alto, que queria ouvir de longe. Apesar da pouca idade, falou uma questão bem interessante: “Confiem em vocês mesmos, acreditem em vocês, EU QUERO OUVIR ALTO!”. E não recomeçou do início, continuou o automático, e o próximo era o Maxwell, 1174. Quando ele chamou 1174, o PIPA inteiro (pátio interno) ouviu “ROMEIRO!!!”. Ele falou tão alto que o Oficial Aluno vibrou! E repetiu a chamada do Romeiro mais três vezes! Disse que aquele era o padrão!
    Depois, aprendendo a marchar, o Maxwell é que vibrou. Ficava lá na frente como referência, e desfilava com a gente.
    Quando já éramos do 2° Ano, aperfeiçoou-se: balançava os braços de forma mais malandra, com o bibico para a frente! Realmente muito marcante essa experiência.
    Como CIDADANIA, são duas coisas que eu acho interessantes, e reúne a nós todos nós aqui. A primeira é que o Colégio Naval (CN) é um colégio público. Não faço referência a ele ser da Marinha. Nós poderíamos ter saído da Marinha. Para quem foi, quem já saiu, não deixa de ter sido uma experiência humana, uma experiência profissional, um colégio público, internato, integral, de qualidade. Eu estudei em excelentes colégios particulares antes. O Colégio Naval acho que foi o colégio que mais me amadureceu como pessoa, e acho que isso aconteceu com todos aqui, tenham ido ou não para a Escola Naval depois. Infelizmente, como CIDADANIA, a segunda coisa que eu posso dizer sobre o 2° Tenente Maxwell é que nós não estávamos em guerra... Foi um cidadão brasileiro que matou nosso amigo, depois de um assalto. Então isso é tristeza. Ainda vivemos essa tristeza. A sociedade brasileira é ainda marcada pela desigualdade, pela falta de educação... Mas a gente não pode esmorecer, nem deixar de acreditar que, se ainda não somos uma sociedade livre, justa e solidária, seremos. Temos que acreditar que a CIDADANIA é uma coisa que faz parte de todos nós, de todas as famílias, de todas as profissões, de todos os cidadãos.
    E, por fim, a ALEGRIA. Não podia terminar essas palavras com “morte”. A VIDA é maior que a morte. E ela é ALEGRIA. O que nós fazemos aqui, a homenagem ao Romeiro, que passa a dar nome a este local de CONVÍVIO e AMIZADE, é pela vida dele, pela alegria que sempre marcou a sua pessoa. Ele não está presente aqui entre nós, fisicamente, mas está presente em nossa memória, está presente em nossos corações, está presente no exemplo que ele deixou para nós. A gente confia que Deus é Pai, e sabe os caminhos de cada um. Acreditamos que nós temos os nossos caminhos também. Vamos continuar trabalhando em nossas profissões, em nossas famílias, para fazermos uma sociedade melhor, fazermos um convívio melhor, e que todos possam crescer como pessoa.
    Então agradeço mais uma vez à Turma por essa oportunidade.